Por muitas vezes perguntava se as coisas seriam mesmo assim… Se não estaria nada para lá do espelho, e se tudo o que se apresentava à minha frente era aquilo, só aquilo e nada mais do que aquilo. Questionava-me se a realidade seria mesmo uma constante simbólica que representava os limites do conhecimento, inimutável e eterna.
Já tinha esquecido em procurar a novidade. Já sabia qual era a face espectável das personalidades, das sensações e das experiências. Nada me deslumbraria. Nada me destruiria, e nada me fazia prever algo de novo.
Até que, inesperado como uma manhã de sol em Fevereiro, algo muda. Não mudou repentinamente, mas pouco a pouco, como o passar do ponteiro dos minutos, que só conseguimos notá-lo se olharmos com atenção. Notei a mudança um dia de manhã, quando acordei já bem depois da hora de acordar das pessoas normais. Sentia-me diferente, mais enérgico, com mais e melhor vontade de aproveitar as experiências. Talvez fosse isso que me faltava: um crepitar de energia, para que a “cascata” pudesse transbordar.
Depois disto, a epifania: tinha saudades de mim. Tinha saudades de ser eu, nada mais do que eu, comigo mesmo e sobre mim mesmo. Estar comigo. Sentir-me “eu”. Ser eu.
Todos merecem e têm o direito ao Narcisismo q.b.. Encontrei o meu, finalmente. Devo-o às pessoas certas, aos momentos certos, aos lugares certos e às oportunidades certeiras. Devo-o a mim, que ganhei coragem.
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. – respondi, rindo-me. Continue a ler
Há uns meses, quando visitei a EXD’09, vi este vídeo numa das exposições, em que o tema era o tempo e a utilização do tempo no design.
É o vídeo de uma música dos Chemical Brothers – Star Guitar. Provavelmente já o viram num canal de música qualquer, pois a música já não é nova e é uma das mais populares deste grupo francês. Mas reparem numa coisa: todos os tempos, sons, batidas e sentimentos que a música transmite estão retratados no vídeo, das mais diversas formas… desde os postes eléctricos que marcam as batidas até aos comboios que passam na linha ao lado quando surge um som mais forte.
À parte dos erros de rendering e mistura de fundos, o vídeo está muito bom, e é, de facto, um case study.
Chemical Brothers – Star Guitar
You should feel what I feel
You should take what I tell you
talvez o dia seria um pouco mais noite;
talvez se as entranhas se revoltassem e acontecesse um milagre;
talvez os sonhos se tornassem realidade;
talvez as nuvens explodissem num orgasmo silencioso e fumegante…
se eu morresse hoje…
talvez não custasse tanto morrer amanhã.
Pensas, logo comentas.