Simplicidade

Gostava de voltar ali. Estacionava o carro, atravessava a rua e descia a rampa em direcção ao areal.
De repente a areia fresca escorria-lhe entre os pés. Ainda era manhã cedo, o sol ainda não tinha acordado o suficiente para aquecer os grãos dourados, mas havia uma brisa, que, lentamente, fazia a areia chorar sobre as pegadas marcadas no chão.
Com passos arrastados em direcção ao mar, lá ia ele de mão dada com os pensamentos que lhe ocupavam a mente. Será que a vida lhe valia a pena? Claro que sim. Será que alguém dava por isso se avançasse em direcção ao mar, acabando com aquilo tudo de uma forma tão poética? Claro que não. Ninguém daria por isso. Está tudo tão ocupado que ninguém sabe de si próprio. Ninguém tem paciência para ouvir.
Chega à beira da água. Arrepio. As ondas minúsculas chegam-lhe aos pés e beija-lhe suavemente os dedos, enlaçando-os com algas macias trazidas pelo respirar do oceano. Estava tudo tão calmo. Tão fesco. Tão simples.
Gostava de continuar ali, na simplicidade extrema que é o acordar do oceano. Talvez um dia seja tudo o resto mais simples do que isso.

2 Respostas to this post.

  1. Beijos e força. A vida continua!

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  2. Dariam por isso, sim.

    **

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