o monstro
por neurório
Era bom demais para ser verdade.
Lá no fundo, detrás de todas aquelas máscaras, detrás de todas aquelas ligaduras, detrás de todos aqueles sorrisos envergonhados, detrás de todo aquele colosso… estava um abismo. Um poço. Um sem-fim de coisa nenhuma, de uma fome de ânsia de querer esconder e não encontrar. Uma vontade livre de se prender sem deixar amarrado, uma salganhada de sombras, momentos e fogos por apagar. Uma floresta antiga, obscura, doente e sem vontade de se estender em direcção ao céu.
Um lobo em pele de cordeiro. Algo que afinal é feio, não belo. Que afinal chora, não ri. Que afinal quer dar, mas receber ainda mais.
Era bom demais para ser verdade.

Será que era mesmo bom demais para ser verdade?
Será que a verdade nunca o foi…?
Será…?
Há momentos difíceis em que não sabemos o que é, o que pode ser ou o que poderia ter sido.
A verdade é que somos e teremos aquilo pelo que lutamos. Sem hesitações, sem pudores e sem medir tempos de reacção. Temos de lutar por aquilo que queremos. Por vezes con equívocos, mas por vezes com agradáveis surpresas.
Não esqueças que Guerra perdida é aquela que é abandonada! Isso sim, é algo inquestionável, mau demais e que é verdade!