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Arquivos para a Categoria ‘poesia’

pontas soltas

Não tenho 80 primaveras. Não sou viajado. Não tenho cicatrizes.
Mas já vivi muito.
Já tive a minha dose de sofrimento, como qualquer pessoa.
Já conheci muita gente. Mas não conheço ninguém.
Sou tudo e não sou nada. Tou o que tu quiseres, mas não quero ser como tu.
Não te percebo, não quero que me percebas, não quero que [...]

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já choraste tudo?

Já choraste tudo? Já extrapolaste a agonia do que é estar submerso num perfeito e simples sofrimento?
E os pulsos? Continuam por cortar?
Agora, limpa-te. Respira fundo. Abre os olhos.
Começa de novo.
Vive.

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idiota

Sou mesmo idiota.
E pensar que poderíamos ter futuro. Andava nas nuvens, não pensava em mais nada, não conseguia trabalhar como deve de ser. Durante algumas semanas vivi numa inconstância emocional que abalou os meus mais profundos sentimentos. Fiz coisas de que não me orgulho. E outras que sim, orgulho-me.
Sou mesmo idiota.
Esqueci-me que a minha inconstância [...]

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Cabeça no ar

Dás-me a volta à cabeça.
Não me reconheço ao espelho, já nem sei que trapos vestir, e penso que à sexta-feira estou num sábado ou domingo. Não paro de mexer no telemóvel à procura de um sinal teu. Passo as noites num sofrimento silencioso, com o peito a pesar duas toneladas, só porque não estás. Não te [...]

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visita de médico

Estivemos no céu. Voámos acima das nuvens. Voltámos à Terra e escondemo-nos juntos na mais profunda das intimidades. Estiveste comigo, e eu estive contigo. E ficávamos assim para sempre.
Mas tanto apareceste como desapareceste. Quando acordei já não estavas. Apenas o mesmo real absoluto onde me encontrava antes de ti. Fugiste para não ficar. Mas ficaste. [...]

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Acorda

No dia em que sonhes e não acordes, deixa-te divagar pela imensidão oculta da tua própria existência.
No dia em que acordes a sonhar, liga-me para saber qual é a sensação.
Quero sonhar contigo.

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Novamente a solidão

Sempre que ficava sozinha recomecava a chover. Mal a porta se fechava e lá vinha uma escuridão celestial que entristecia até a torneira da casa de banho, a pingar um choro incessante. As nuvens tão depressa cobriam o céu que os olhos nem tinham tempo de se habituar à luminusidade.
E a tristeza. Era insuportável. Doía [...]

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